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Marcelo Szporer formou-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal da Bahia e seguiu o caminho esperado: trabalhou por cerca de seis anos numa construtora, em obras em Salvador e São Paulo, e depois fundou sua própria construtora, que comandou por cinco anos.

A virada para a alimentação veio a seguir. Marcelo abriu alguns restaurantes em Salvador e manteve contratos expressivos, incluindo sete anos fornecendo alimentação e café para a sede da Petrobras em Salvador. Foi exatamente esse trabalho no setor de alimentação que o levou, em 2006, a uma feira em São Paulo que mudaria tudo.

Na Fispal daquele ano, havia um pavilhão novo e pequeno dedicado a algo chamado Café Especial. Marcelo entrou por curiosidade e saiu diferente. Pela primeira vez, percebeu que os cafés podiam ser completamente distintos entre si — em sabor, aroma, acidez, doçura. A descoberta foi imediata e avassaladora. Em setembro daquele mesmo ano, matriculou-se num curso de barista em São Paulo. Em novembro, abriu o Feito a Grão — um quiosque num canto do Shopping Itaigara, em Salvador. A partir dali, o café nunca mais saiu do centro da sua vida.

O Feito a Grão cresceu. A convite da Livraria Saraiva, Marcelo expandiu para cafeterias dentro das livrarias em Salvador, Recife, Aracaju e São Paulo. Em 2014, adquiriu um torrador e passou a torrar seu próprio café, aprofundando o entendimento da ciência e da arte da torra. A empresa chegou a doze unidades.

Em 2016, após a venda do Feito a Grão, Marcelo e sua esposa Georgia decidiram se mudar para Israel onde as suas filhas já estavam morando. Em maio de 2017, abriram o Café Origem na conhecida Avenida Dizengoff, e criaram uma torrefação em Jaffa, ao sul de Tel Aviv. Ali, pela primeira vez, pôde torrar cafés de origens que a legislação brasileira não permite importar — Etiópia, Quênia, Colômbia, Costa Rica, Guatemala e outros. O repertório sensorial se expandiu de forma exponencial. Em 2019 viajou à Etiópia para visitar fazendas e cooperativas no berço genético do café Arábica — uma formação que não cabe em nenhum curso.

A experiência israelense também permitiu a Marcelo um exercício raro: importar cafés brasileiros para Israel, conectando dois países que amava. Lotes de Antônio Rigno, de Silvio Leite e de Raquel Meireles, da Fazenda Alvorada, cruzaram o Atlântico por iniciativa própria.

Apesar da ligação intensa com Israel, em outubro de 2024, Marcelo e Georgia, por motivos pessoais, decidiram retornar ao Brasil — deixando em Israel as duas filhas, que escolheram permanecer.

De volta a Salvador, Marcelo pensou em mudar de área. Mas a paixão falou mais alto.

A Lendas — Cafés Memoráveis é o terceiro empreendimento de café de Marcelo Szporer. Desta vez, com quase vinte anos de trajetória acumulada, entre lavouras brasileiras, torrefações em dois países e uma viagem à origem do café. Não como quem começa, mas como quem finalmente chegou onde sempre quis estar.